Frank Miller: 51 anos
Frank Miller completa hoje 51 anos. O americano é escritor, artista e diretor de cinema, mas é conhecido principalmente pelo estilo noir que dá às suas histórias em quadrinhos. Ele é um dos mais reconhecidos e populares criadores de quadrinhos, e um dos mais influentes de sua geração.
Miller nasceu em Olney, Mariland e cresceu em Montpelier, Vermont. Miller era um fã de quadrinhos desde a infância. Desejando tornar-se um artista, ele eventualmente teve seu primeiro trabalho publicado em The Twilight Zone (Além da imaginação) para a Gold Key Comics em 1978. Este foi seguido de vários trabalhos de desenhista para títulos de antologia da DC Comics e seu primeiro trabalho na Marvel Comics em John Carter: Warlord of Mars #18. Foi na Marvel que Miller conseguiu assegurar uma vaga como artista regular e de capa, trabalhando em vários títulos. Um desses trabalhos foi desenhando Spectacular Spider-Man #27 e #28. Esses exemplares mostraram Demolidor como um personagem secundário. A essa época Demolidor era um personagem menor com sua série própria com vendagens fracas; entretanto, Miller viu algo no personagem que gostou e perguntou ao editor-chefe da Marvel, Jim Shooter, se ele poderia trabalhar no título regular do Demolidor. Shooter concordou e tomou a decisão de fazer de Miller o novo desenhista do título.
A primeira edição de Frank Miller desenhando o Demolidor foi em Daredevil #158, que era a última parte de uma história escrita por Roger McKenzie. Embora ainda se modelando de acordo com o estilo tradicional dos quadrinhos, ele incorporou à história seu próprio estilo noir que provou ser um sucesso. Depois dessa edição Miller tornou-se uma das estrelas de rápida ascensão da Marvel e também começou a roteirizar histórias extras com McKenzie.Aprendendo com Neal Adams, Miller ficou horas fazendo sketchs dos telhados de Nova York na tentativa de dar a arte do Demolidor um sentimento de autenticidade raramente visto nas histórias de super-heróis naquele tempo. Miller foi tão bem-sucedido com o título que a Marvel começou a publicar os quadrinhos do Demolidor mensalmente (cuja publicação era anteriormente bimestral). Do número #168 em 1981, Miller assumiu as funções de escritor e desenhista com Klaus Janson arte-finalizando suas edições. Esta edição viu a primeira aparição de Elektra.
Com a criação de Elektra, o trabalho de Miller nos quadrinhos do Demolidor passaram a ser caracterizados por temas mais noturnos e histórias fortemente influenciadas pelos mangás. Isso atingiu seu ápice na edição #191 onde o assassino Mercenário mata Elektra. Embora mortes de personagens secundários fossem lugar-comum nos quadrinhos da época, a morte de um personagem principal como Elektra não era. Miler deixou claro com as edições seguintes que sua intenção era deixar Elektra morta mas no entanto ela foi revivida durante seu tempo como escritor. Miller terminou seu tempo na revista periódica de Demolidor na edição #191; neste tempo ele transformou um personagem secundário da Marvel em um dos mais populares e mais vendidos personagens publicados pela editora. Devido a popularidade do Demolidor, Miller tornou-se um dos artista mais procurados na indústria dos quadrinhos.
Durante este tempo, Miller e o escritor Chris Claremont produziram uma minissérie em 4 partes, Wolverine, em 1982, como spin-off da popular série X-Men. Miller usou este título para expandir o personagem Wolverine enquanto apresentava mais de sua arte influenciada nos mangás. A série foi um sucesso de crítica e público e sedimentou o lugar de Miller como um grande artista. Miller encontrou tempo ainda para desenhar uma história curta de Natal do Batman para o especial de Natal da DC Comics. Esse foi o primeiro encontro com um personagem que, assim como Demolidor, passou a ser associado.
Miller preencheu seu tempo com The Elektra Saga ( uma minissérie em 4 partes consistindo grandemente de material anteriormente publicado em sua passagem pela série do Demolidor, contando sobre a vida e a morte de Elektra), e Ronin para DC Comics, seu primeiro título “creator-owned”. Ronin foi uma minissérie em 6 edições publicada pela DC de 1983 a 1984. Com Ronin, Miller não apenas redefiniu sua própria arte e técnicas de narração, como também ajudou a mudar a forma como os direitos do criador eram vistos, e provou que quadrinhos em novos formatos podiam ser comercialmente viáveis. Ronin foi também seu título mais claramente influenciado pelos mangás, principalmente por Lobo Solitário.
Depois de Ronin, Miller foi relativamente recluso em 1985; seu único trabalho publicado foi uma única edição de Demolidor (Daredevil #219).
Batman: O Cavaleiro das Trevas e o final dos anos 80.
Em 1986 DC Comics lançou Batman: O Cavaleiro das Trevas, uma minissérie em 4 edições, escrita e desenhada por Frank Miller, com cores por Lynn Varley e arte-finalizada por Klaus Janson.
A história conta como Batman, retirado após a morte de Robin, e com 55 anos de idade retorna a luta contra o crime num futuro onde crime e violência predominam. Indicando um possível final para Batman, Miller criou um retraro duro e amargo do Cavaleiro das Trevas. Lançado no mesmo ano de Watchmen, mostrou uma nova forma de narração mais orientada a adultos para o público geral. Recebendo quantidades massivas de publicidade da mídia, Miller não apenas redefiniu o Batman nos quadrinhos, mas também dirigiu o final da imagem infantil e satirizada que várias pessoas tinham do personagem da série de televisão dos anos 60.
O Cavaleiro das Trevas influenciou a indústria dos quadrinhos, encabeçando uma nova onda, mais dark, mais realista, e junto de Batman: A Piada Mortal, foi também uma grande influência para o filme do Batman de Tim Burton, de 1989. Além disso, a história finalmente ajudou a romper o anterior bom relacionamento entre os dois mais bem conhecidos personagens da DC Comics, Batman e Superman.
1986 também viu Miller retornar ao Demolidor com o artista David Mazzucchelli, criando um arco de histórias que como Cavaleiro das Trevas, redefiniu e revigorou o personagem principal. Em Daredevil: Born Again (A Queda de Murdock), nós aprendemos sobre o background católico do Demolidor, e mostrou a destruição ( e renascimento) do alter-ego Matt Murdock nas mãos do Arqui-inimigo Rei do Crime.
Miller e o artista Bill Sienkiewicz produziram a graphic novel Daredevil: Love and War (Demolidor). Apresenta o Rei do Crime, que indiretamente liga a primeira série de histórias de Frank Miller em Demolidor à Queda de Murdock, explicando a mudança de atitude do Rei do Crime em relação ao Demolidor. Miller e Sienkiewicz também produziram a minissérie em 8 edições Elektra: Assassina para Epic Comics. Situada fora da continuidade regular da Marvel Comics, mostra um conto selvagem com ciborgues e ninjas, enquanto expande o background de Elektra. Ambos os projetos foram bem recebidos pela crítica.
A última grande história de Frank Miller neste período foi em Batman das edições 404 a 407 de 1987, outra colaboração com Mazzuchelli. Titulada Batman: Ano Um, foi a versão de Miller da origem do Batman na qual ele retconizava vários detalhes e adaptava a história para encaixar o Cavaleiro das Trevas na continuidade.
Nessa época, Miller esteve em disputa com a DC Comics sobre um sistema de classificação proposto para os quadrinhos. Discordando disso, que via como censura, Miller recusou fazer qualquer trabalho para a DC e passaria a realizar seus futuros projetos na editora independente Dark Horse. A partir de então Miller passaria a ser um grande defensor dos direitos dos criadores e um voz ativa contra a censura nos quadrinhos.
As 2 décadas mais recentes da vida de Frank Miller foram marcadas por adaptações para filmes que pouco lhe agradaram, tendo grandes interferências dos produtores.
No ramo dos Quadrinhos, ficou marcado pela sua participação na Dark Horse e seus trabalhos independentes, principalmente Sin City, que tornou-se inclusive uma adaptação para Cinema.
Sin City é a realização de um grande sonho de Frank Miller, que entrara nos quadrinhos com a intenção de fazer histórias policiais, e fez mais do que isso. Impôs seu próprio estilo. Ritmo cinematográfico e contraste branco e preto. Uma grande obra dos Quadrinhos.
Os últimos anos vêm sendo marcados por histórias de quadrinhos infrutíferas e meramente comerciais de volta a DC Comics, e um grande período de sucesso nos cinemas, com a adaptação de 300 e Sin City, além da direção do futuro filme Will Eisner’s The Spirit.
Qual sua opinião sobre as histórias de Frank Miller? Qual a melhor história dele que você já leu? Comente aqui.
Possibly Related Posts:
- Dia Nacional dos Quadrinhos
- Batman: A Piada Mortal
- Deadpool para desmascarar a DC
- O dia mais claro
- Xerxes





Leave a Reply